Um Resumo da Igreja de Deus em Cristo — Menonita

A Igreja de Deus em Cristo — Menonita, é uma sub-divisão relativamente pequena entre as igrejas conhecidas pelo nome de Menonita.  A nossa visão ou meta é de seguir fielmente os ensinamentos de Jesus Cristo e de Seus apóstolos na fé e na prática.  A fé histórica dos anabatistas/me­nonitas representa o nosso conceito ou interpretação do Evangelho.

Devido a nosso esforço de viver segundo os padrões estabelecidos no Evangelho, somos vistos por alguns como um povo diferente que não se encaixa no ritmo das demais igrejas cristãs.  Isto pode até ser verdade, mas nem por isso deixamos de nos enquadrar no significado primitivo da palavra Cristão, como lemos em Atos 11:26, apesar de sermos conhecidos como menonitas.  Ou, como acontece em alguns lugares, como menonitas holdeman, devido à influência do evangelista/reformador John Holdeman do século passado.

Entre as crenças da Igreja de Deus em Cristo — Menonita, há especialmente  algumas que a distinguem das demais denominações.   Podemos citar:

O alicerce da nossa fé é a salvação que se recebe através do novo nascimento.  Esta experiência se baseia na fé em Jesus Cristo como Salvador, no arrependimento, no abandono dos pecados e numa vida transformada em que se deixa de servir ao pecado para servir a Cristo.

Aceitamos o ensinamento bíblico que mostra a necessidade dos Cristãos serem um povo separado.  Devemos nos manter separados em espírito, ou seja, em nossas atitudes e modo de pensar, bem como em nossa maneira de agir.  Cremos que nossas roupas, casas e demais pertences devem refletir simplicidade e modéstia.  Além da modéstia no vestuário, cremos que os homens devem manter o cabelo bem cortado e usar barba, e que as mulheres, por sua vez, devem usar o véu devocional, assim como a Bíblia ensina.

O Cristão pertence a um reino celestial, e de acordo com os ensinamentos de Cristo, deve procurar viver em paz com todos.  Não nos envolvemos na política.  Não ocupamos cargos públicos e não prestamos serviço militar.

 

A Origem da Igreja Menonita

A maioria dos menonitas são descendentes dos anabatistas que já existiam antes da Reforma Protestante do século 16.  Estes irmãos eram chamados de anabatistas pelo fato de não aceitarem o batismo de infantes.  Para eles o único batismo válido era aquele ministrado a pessoas com idade suficiente para crer.  Em questões de doutrina e prática, eles seguiam a mesma fé dos apóstolos de Jesus.  Esta fé também era a mesma praticada pelos valdenses, que já existiam bem antes da Reforma, e de outros grupos que se mantinham separados das demais crenças durante a Idade Média.  Eles não eram católicos nem protestantes, sendo por sinal, violentamente perseguidos por ambos devido à independência que mantinham das igrejas estatais.  Dos diversos grupos de anabatistas que apareceram na Europa toda, eram principalmente os da zona rural da Suiça e da Alemanha que preservaram a fé.

Devido às perseguições intensas que sofriam, muitos acabaram abandonando a sua pátria, deixando fazendas e comércios em plena produção, escolhendo obedecer a Deus e não aos homens (leia Atos 5:29).  Com o passar do tempo, muitos deles migraram para a América do Norte.

 

O nome Menonita

No ano 1536, Menno Simons (1496-1561), um sacerdote católico na Holanda, começou a sentir o peso de seus pecados e iniciou um estudo da Bíblia.  Através de seu arrependimento e entrega a Deus, ele experimentou o novo nascimento espiritual.  Como Cristão convertido, ele renunciou o catolicismo e através do batismo, passou a fazer parte dos anabatistas perseguidos.

Um homem talentoso, e ao mesmo tempo humilde, Menno Simons se empenhou no estudo da Bíblia, chegando a ser um mestre altamente capacitado durante aqueles tempos difíceis de perseguição.  Ao ser chamado pela Igreja para o cargo de pastor, ele só aceitou depois de passar uma temporada em oração.  Menno foi um instrumento poderoso nas mãos do Senhor.  Com a ajuda de outros pastores fiéis, ele uniu os irmãos em espírito, na doutrina e na prática.  Ele batizou muitos que se converteram e ajudou a estabelecer diversas congrega­ções.  Seu discernimento aguçado de coisas espirituais, bem como seu talento como escritor, o ajudavam a defender a fé contra os erros do catolicismo, contra os reformadores comprometidos do protestan­tismo e contra o engano de fanáticos que exisitiam entre os próprios anabatistas.

Foi durante o tempo que Menno Simons passou na Holanda ministrando para o povo, que os anabatistas foram apelidados de menonitas.  Com o decorrer do tempo, os anabatistas dispersos na Alemanha, na Suiça, na França, e em outros lugares, também chegaram a ser conhecidos como menonitas.  Estes primeiros anabatistas/menonitas se destacaram pela maneira em que aplicavam os ensinamentos de Cristo a suas vidas, a saber: pureza no falar, vestuário decente, honestidade nos negócios, pureza moral e social, separação do mundanismo, a não-resistência não apenas no tempo de guerra, mas no dia-a-dia também.  A exigência de uma transformação de coração através a verdadeira conversão a Cristo era o alicerce de todos os aspectos de sua vida.

 

A Igreja Menonita na América

A primeira colônia menonita na América estava localizada em German­town, no Pennsylvania, no ano 1683, quase um século antes da Guerra da Indepen­dência dos Estados Unidos.  Esta colônia foi estabelecida em conseqüência de um convite feito por William Penn, um Quaker inglês que procurava colonos para ocupar uma gleba grande de terra concedida pelo rei da Inglaterra.

Novas levas de imigrações para a América ocorreram de 1704 até 1754.  Calcula-se que no tempo da Guerra da Independência, já havia em torno de três a cinco mil menonitas na América.  Novamente entre 1815-1861, depois da derrota de Napoleão, houve novas migrações.

Os menonitas que deixaram a Europa durante os tempos de perseguição em procura de novas liberdades na América, se mantiveram mais firmes na fé do que aqueles que ficaram para trás.  Eles tiveram que enfrentar os perigos comuns aos pioneirismo e superar grandes dificuldades.  Foram conhecidos pelos outros como um povo sério e devoto, temente a Deus.  E nas coisas materiais, como trabalhadores e dedicados.

A Igreja Menonita, conhecida por alguns como a Velha Igreja Menonita,  se manteve fiel nas doutrinas do Evangelho durante as primeiras décadas da história dos Estados Unidos.  Sua vida e doutrina eram conservadoras.  Nos tempos de guerra, fiéis aos ensinamentos de Jesus sobre a não-resistência, recusavam-se a pegar em armas e sair à luta.  Sua posição firme durante a Guerra dos Franceses e dos Índios, na Guerra da Independência e na Guerra Civil, a consagrou como uma igreja pacífica.  O poder do Espírito Santo estava evidente na vida pessoal de seus membros durante este tempo.  Uma disciplina bem aplicada impedia que o mundanismo penetrasse a igreja.

No entanto, com o decorrer do tempo, houve uma decadência espiritual na Velha Igreja Menonita.  É lamentável o desvio generalizado da sã doutrina que houve no último século da parte dos descendentes destes menonitas originais.

 

A Igreja de Deus em Cristo — Menonita

No meio deste desvio da sã doutrina, havia aqueles que ainda estavam dispostos “a batalhar pela fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos” (Judas v. 3).  Entre estes estava John Holdeman (1832-1900), filho de pais menonitas do condado de Wayne, no Ohio (EUA).  Converteu-se aos 12 anos de idade, mas foi batizado aos 21 anos, quando reconsagrou sua vida ao Senhor.  Nesta ocasião ele dedicou sua vida toda ao estudo das Escrituras e prometeu seguir o Espírito Santo sem vacilar.

Nos anos seguintes ele se conscientizou cada vez mais do desvio da Velha Igreja Menonita da prática da sã doutrina.  Alguns dos desvios mais aparentes era uma tendência para o tradicionalismo, uma falta de vida espiritual, o batismo de pessoas não convertidas do mundanismo, uma falta de diligência na educação dos filhos, e uma falha séria na aplicação da disciplina da igreja.  John Holdeman apelou para os líderes da igreja e freqüentou as conferências deste corpo, procurando compreensão e apoio.  Alguns concordavam com a sua análise do problema, mas poucos ao ponto de concordar que alguma coisa precisava ser feita.  Em 1859, ele e uns poucos irmãos começaram a fazer cultos independentes.  Este foi o começo de um movimento que finalmente acabou num rompimento definitivo da Velha Igreja Menonita.

Com o passar do tempo, este grupo se organizou como a Igreja de Deus em Cristo — Menonita.

John Holdeman era um pregador cheio do Espírito Santo, um evangelista influen­te.  O pequeno rebanho logo reconheceu que esta chamada era de Deus e o reconheceram como seu líder.  Ele também se mostrou um escritor prolífero, ambos no alemão e no inglês.  Sua obra mais destacada é o Mirror of Truth [Espelho da Verdade — não traduzido para o português],  que é uma coleção de escritos doutrinários e ensinamentos práticos da Bíblia,  ainda estimados pela Igreja pela instrução neles contidos e por sua capacidade de edificar.

Além de passar muito tempo escrevendo, John Holdeman também viajava muito.  À medida que as pessoas experimentavam o novo nascimento e aceitavam a verdadeira fé, formaram-se congregações em diversos estados nos Estados Unidos e em algumas províncias no Canadá.

Estas congregações funcionavam har­mo­nio­samente. Houve crescimento em termos de novos membros e também no estabelecimento de novas congregações.  Durante muitos anos a publicação oficial da Igreja era o Botschafter der Warheit [O Mensageiro da Verdade, publicado em Alemão].  No início deste século foi lançado The Messenger of Truth [a mesma publicação no inglês], que continua sendo publicado.

Com o crescimento da igreja, houve a necessidade de uma estrutura mais organizada.  Foram criados comitês pela Conferência para cuidar dos diferentes aspectos da obra, como a publicação de livros e literatura doutrinária, a impressão e distribuição de folhetos evangelísticos, o serviço voluntário dos jovens, o auxílio aos flagelados, socorros humanitários a nível internacional, a obra missionária, a operação de escolas paroquiais, bem como outras responsabilidades administrativas.

Desde o princípio, a obra missionária e evangelística tem sido mantida de uma forma organizada pelos membros da Igreja.  A Igreja de Deus em Cristo — Menonita, seguindo o ensinamento e exemplo da Igreja apostólica, convida os povos de todas as culturas, raças e nacionalidades para virem a Jesus e serem salvos.  Este convite vem em forma de folhetos que são impressos e distribuidos em muitas nações, sempre na língua falada pelo povo.  Os comitês de missões são responsáveis pela obra missionária.  Em diversos países as missões já se transformaram em con­gregações dirigidas pelos membros daquele local.  O clamor do Evangelho nas muitas nações apresenta uma oportunidade, bem como uma responsabilidade de primeira grandeza, de cumprir a Grande Comissão de Cristo de ir e fazer “discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas” que Ele nos mandou, como lemos em Mateus 28:19-20.

 

A Igreja de Hoje

Desde os dias de John Holdeman, a Igreja já passou por muitas tempestades, ora por problemas internas, ora por externas.

Durante as últimas duas guerras mundiais, a doutrina da não-resistência foi colocada à prova.  Apesar de fortes pressões de ingressar nas Forças Armadas, a Igreja se manteve fiel na fé de Jesus Cristo.  O testemunho da Igreja ficou inalterado.

Desde a década de 70, os membros de quase todas as congregações têm mandado seus filhos a escolas particulares mantidas pela própria Igreja.  É o nosso meta educar os filhos num ambiente cristão.  Procuramos sempre manter uma visão clara sobre este assunto, assim evitando que nossos filhos sejam desviados por influências mundanas.  O importante é prepará-los para enfrentar o mundo de hoje.

Por maiores que sejam as trevas deste mundo, continuamos enfrentando o futuro com a esperança viva de que a graça de Deus sempre nos ajudará a vencer o poder do mal (1 João 5:4).  Enfrentamos o futuro confiante no poder de Deus, no poder daquele que tem um propósito para tudo, para assim estarmos pontos no dia da Sua volta (leia Mateus 24:44; 25:13).

Voltar